Gillettes, Papéis e Outros Objectos Cortantes


Pulso. Pulso. Pulso. Contar a história do Pulso é difícil. Na verdade, é praticamente impossível.
Quem o conhece apenas superficialmente poderia descrevê-lo como uma pessoa que vive unicamente no seu mundo. Quem o conhece bem pode inequivocamente descrevê-lo como uma pessoa que vive única, exclusiva e assustadoramente no seu próprio mundo.
Aceder a esse universo é uma missão não realizável. Não pode ser feito.
A única janela que alguma vez teremos para espreitar para este sítio assombrado e ao mesmo tempo fantástico, para esta montanha russa a oscilar entre baixos de aberrações e sofrimento e de altos de felicidade parva e injustificada, é a sua música.
A sua desconcertantemente honesta música, guiada pelos rasgões da vida que podemos sentir na sua voz.
Voz esta que contrasta com a figura. Uma analogia perfeita que espelha o seu mundo.
Todos os dias, o Pulso ignora tudo. Mas ninguém o pode culpar por isso.